viagem

Almost 30’s discovery/ Descoberta dos quase 30

Dahab, South Sinai, Egypt, 2020

Well well, look who is back! I hate to disappoint you guys, but I might not be able to do the Ramadan compensation. I run out of patience and will these days. I guess I can do this at any time, but honestly, I don’t think I will manage. And actually, this post is not even about that anymore.

You know when you reach a point in your life that you want everything crystal clear? With no time for half words or mystery games? Well, I am certainly there. These days I was questioned about what I thought changed with age in my life. At that time I just could think about the body energy that is not the same as younger. However, this question got me thinking longer. What actually changed in my life? The thing is, I couldn’t answer the question entirely because I didn’t actually feel and think about it deeply before.

We have constantly the idea of ideal life and what one is supposed to be and to have at certain age. In some societies if you in your 30’s living with parents is a complete shame, in others is totally normal and preferable. Back then the path of life was to be born, to learn a bit of life, to built a family and khalas.

I must confess that at my early ages I used to imagine myself marrying at 21 and having kids at 23, which was already in my 10 years old mind a progressive way of thinking, as I wouldn’t have kids right after marriage. I really laugh at myself every time I remember this way of thinking. If you know me now, maan, you know I’ve changed.

About 20 years later I see that 10 years old Isabela imagining what the society told her what she should be doing. And that is exactly what changed. The society doesn’t get to say what I should be doing anymore, or even parents or friends. Getting old can be terrifying, but it also liberating of the other’s opinion about yourself.

We worry so much what everyone else will judge you from our actions and choices, but let me tell you that you are the only judge acceptable to yourself and you are the only one that get to choose you own path.

The taste of life is different, things that made you laugh, cry or hurt before don’t have the same power on you anymore. The way you see and react to moments changes. Maybe similar situations happen again; maybe old people reappear in your life, but you are already someone else to handle it all in a new manner.

Priorities are all reorganized. You don’t have that much time to overthink some situations, you don’t have time to wait others to make choices for you. You become way more determined to get what you want. The obstacles don’t get smaller, but you are now more fearless to overcome them.

Funny how what looked like a simple question in a date can do to you, right? Yes, my friends, even though the age is just number, it is also an opportunity to discover yourself.


Ora ora, olha quem está de volta! Detesto desapontar vocês, mas talvez eu não consiga fazer a compensação do Ramadã. Fico sem paciência e vontade nos dias de hoje. Acho que posso fazer isso a qualquer momento, mas sinceramente, acho que não vou conseguir. E na verdade, esse texto nem é sobre isso mais.

Sabe quando você chega a um ponto de sua vida que deseja tudo claro e objetivo? Sem tempo para meias palavras ou jogos de mistério? Bem, eu certamente estou lá. Recentemente, fui questionada sobre o que pensava ter mudado na minha vida com a idade. Naquele momento, eu conseguia pensar apenas na energia do corpo que não é mais a mesma de quando mais nova. Mas essa pergunta me fez pensar mais. O que realmente mudou na minha vida? O problema é que eu não consegui responder totalmente à pergunta porque realmente não senti e pensei sobre isso profundamente antes.

Sabe quando você chega a um ponto de sua vida que deseja tudo claro e objetivo? Sem tempo para meias palavras ou jogos de mistério? Bem, eu certamente estou lá. Recentemente, fui questionada sobre o que pensava ter mudado na minha vida com a idade. Naquele momento, eu conseguia pensar apenas na energia do corpo que não é mais a mesma de quando mais nova. Mas essa pergunta me fez pensar mais. O que realmente mudou na minha vida? O problema é que eu não consegui responder totalmente à pergunta porque realmente não senti e pensei sobre isso profundamente antes.

Temos constantemente a ideia de vida ideal e o que se deve ser e ter em certa idade. Em algumas sociedades, viver com os pais aos 30 é uma vergonha completa, em outras é totalmente normal e preferível. Naquela época o caminho da vida era nascer, aprender um pouco da vida, construir uma família e fim.

Devo confessar que, na tenra idade, eu me imaginava casando aos 21 anos e tendo filhos aos 23, o que já era, na minha mente de 10 anos, um pensamento progressista, pois não teria filhos logo após o casamento. Eu realmente rio de mim mesma toda vez que me lembro dessa maneira de pensar. Se você me conhece agora, joveeem, sabe que eu mudei.

Cerca de 20 anos depois, vejo a Isabela de 10 anos imaginando o que a sociedade lhe dizia o que deveria estar fazendo. E foi exatamente isso que mudou. A sociedade não consegue dizer o que eu deveria estar fazendo, ou mesmo pais ou amigos. Envelhecer pode ser aterrorizante, mas também libertador do pensamento do outro sobre você.

A gente se preocupa muito com o que os outros vão nos julgar por nossas ações e escolhas, mas eu vos digo, só a gente é o juiz da gente mesmo e só a gente pode escolher nosso próprio caminho.

O sabor da vida é diferente, coisas que fizeram você rir, chorar ou magoar antes não têm mais o mesmo poder sobre você. A maneira como você vê e reage aos momentos muda. Talvez situações semelhantes aconteçam novamente; talvez pessoas antigas reapareçam em sua vida, mas você já é outra pessoa para lidar com tudo de uma maneira nova.

Todas as prioridades são reorganizadas. Você não tem muito tempo para pensar demais em algumas situações, não tem tempo para esperar que outras pessoas façam suas escolhas. Você se torna muito mais determinada a conseguir o que deseja. Os obstáculos não diminuem, mas agora você é mais destemida para superá-los.

Engraçado o que parecia uma simples pergunta em um encontro pode fazer com você. Sim, meus amigos, mesmo que a idade seja apenas um número, também é uma oportunidade de descobrir a si mesma.

viagem

Day 24: Eid Mubarak!/Dia 24: Feliz Eid!

-Você conhecce Zayed bem?
-Ah, sim.
-Onde fica o 11th (distrito)
 -Toda essa área já é o 11th (apontando para os prédio atrás de mim).
 -Ah, obrigada. E você é de onde?
 -Do Brasil.
 -Ah, legal, e quantos ano você tem?
– Já esperando algum julgamento – 28.
 -E você é casada?

Sheikh Zayed, Egypt, today
Sheikh Zayed, Egito, hoje

Bem vindos ao Egito em que uma das perguntas mais importantes a se fazer para uma mulher andando sozinha livre na rua é a sua idade e se está casada. Pois, como pode uma mulher com sua idade não estar casada, eles perguntariam? Bom, meu caros, desculpe decepcioná-los, mas casamento não é minha prioridade e seguirei solteira aos quase 30.

Esse diálogo aconteceu durante uma caminhada pelo bairro onde moro. O dia começou por volta do meio dia e não muito animado, se você já teve brigas com seu ex sabe que a energia vai embora rapidinho. Mas eu decidi que não iria deixar isso influenciar meu dia, eu precisava deixar a energia circular e nada melhor que uma caminhada ao ar livre.

Saí sem rumo e deixei minhas pernas me levaram para onde quiserem. Já no que seria a metade do caminho um carro passou por mim com perguntas de direção. Como estrangeira esses tipos de perguntas me deixam muito animada, primeiro porque tenho certeza de que eu pareço local, e segundo porque eu sei responder. Eu já morei e me perdi em muitos lugares por aqui, saber uma direção é motivo de auto orgulho.

Porém, sempre esqueço do que vem junto a essas perguntas simples. Sim, o diálogo do início do texto aconteceu exatamente assim. A capacidade de fazer perguntas pessoais para um estranho é algo incrível e que acontece bastante por aqui.

Ainda assim eu não ia deixar meu dia ser estragado por nada e nem por ninguém. Hoje é o último dia de Ramadã e eu quero carregar toda a energia e troca espiritual dentro de mim. Vocês podem imaginar que seria um alívio chegar ao fim do jejum, mas é na verdade uma certa tristeza. A energia de troca espiritual, o sentimento de alegria de compartilhar com sua família e amigos momentos incríveis chega também ao fim.

Para vocês cristãos imaginem como é o sentimento em época de Natal e Ano Novo. Tudo parece estar envolto em um véu de magia e felicidade que não queremos nos despedir. A vida pós Ramadã perde sua as cores vibrantes e dá lugar para o cinza do dia-a-dia. O tempo de contemplação diário dá lugar ao tempo corrido da rotina. A vida volta ao normal.

Mas verdade seja dita, nós conseguimos!! Digo nós, pois sinto que vocês que acompanharam esse mês sentiram comigo também. O suporte e interação de vocês foram essenciais para que eu conseguisse chegar até o fim. Obrigada!

Agora é tempo de celebrar o Eid al-Fitr como eu falei para vocês no texto do dia 19 e quiçá receber as graças da devoção do sagrado mês de Ramadã.

Eid Mubarak, meus caros!

ps: Eid Mubarak é a saudação usada para desejar um festival abençoado. A palavra Mubarak significa abençoado.


– Do you know Zayed well?
– Ah yes.
– Where is the 11th (district)
– This whole area is already the 11th (pointing to the buildings behind me).
– Oh thanks. And where are you from?
– From Brazil.
– Oh, cool, and how old are you?
– (Already waiting for a trial) – 28.
– And are you married?

Arraial d’Ajuda, Bahia, Brasil, 2019

Welcome to Egypt where one of the most important questions to ask a woman walking alone on the street is her age and whether she is married. How come a woman at your age is not married, they might ask? Well, my dear, sorry to disappoint you, but marriage is not my priority and I will remain single at almost 30.

This dialogue took place during a walk through the neighborhood where I live. The day started around noon and not very excited, if you have had fights with your ex you know that the energy goes away quickly. Nevertheless, I decided that I was not going to let this influence my day, I needed to let the energy circulate and nothing better than a walk outdoors.

I left aimlessly and let my legs take me wherever they want. In what would be halfway there, a car passed by me with questions of direction. As a foreigner, these types of questions make me very excited, first because I’m sure I look local, and second because I know how to answer. I’ve lived and lost myself in many places around here, knowing a direction is a reason for self-pride.

However, I always forget what comes with these simple questions. Yes, the dialogue at the beginning of the text happened just like that. The ability to ask personal questions to a stranger is an incredible thing that happens a lot here.

Still, I wasn’t going to let my day be spoiled by anything or anyone. Today is the last day of Ramadan and I want to carry all the energy and spiritual exchange within me. You can imagine that it would be a relief to end the fast, but it is actually a certain sadness. The energy of spiritual exchange, the feeling of joy of sharing incredible moments with your family and friends also comes to an end.

For you Christians imagine how it feels at Christmas and New Year. Everything seems to be wrapped in a veil of magic and happiness that we don’t want to say goodbye to. Post-Ramadan life loses its vibrant colors and gives way to the gray of everyday life. Daily contemplation time gives way to routine time. Life goes back to normal.

But truth be told, we made it!! I say “we”, because I feel that you who followed this month felt with me too. Your support and interaction were essential for me to be able to reach the end. Thank you!

Now it is time to celebrate Eid al-Fitr as I spoke to you in the text of the 19th and perhaps receive the graces of the devotion of the holy month of Ramadan.

Eid Mubarak, my dears!

ps: Eid Mubarak is the greeting used to wish a blessed festival. The word Mubarak means blessed.

viagem

Day 23: Back to Business/ Dia 23: De volta ao Trabalho

Luxor, Egypt, 2017

Bom, eu deixei vocês com meu último post há praticamente uma semana. Meu jejum teve que ser suspenso temporariamente, porém cá estou de volta. Na verdade eu achava que podia ter voltado ontem, então até comecei o jejum, mas a mãe natureza ainda não estava pronta para me deixar, tive que adiar mais um dia.

É curioso como o nosso próprio corpo se comporta. Nessa uma semana que eu voltei normalmente aos meu hábitos alimentares senti mais dor de cabeça e menos energia. Talvez por ter dado uma desanimada no processo, já que escrever para vocês todos os dias me dava um bom gás.

Eu poderia agora ocupar os espaços vazios do dia com qualquer coisa e confesso que uma das primeiras coisas que eu fiz foi fazer o saudoso cafezinho preto pela manhã. Porém era na verdade estranho não fazer o jejum. Vejam, eu moro sozinha e em teoria ninguém saberia se eu estava fazendo jejum ou não ou até se eu deveria ter parado ou não, mas estar inserida no contexto em que a grande maioria está fazendo me fez querer fazer parte.

Voltar hoje a poder fazer o jejum foi um certo alívio, de que eu estava ainda pertencente. Achei que seria mais difícil e que todos os sentimentos de ansiedade que tive no início voltariam. Surpreendentemente foi muito mais fácil do que imaginava. Hoje que poderia ser uma dia extremamente agoniante, pois eu mal dormira e não tive uma carga de trabalho grande foi na verdade uma tranquilidade inesperada.

Nem James, nem Gertrudes e nem eu tivemos qualquer dificuldade. Creio que eu sou uma pessoa muito sortuda nessa vida. Semana passada uma onda de calor estava presente no Cairo com temperaturas por volta dos 42 graus e sensação térmica de forno pré aquecido a 250 graus o que não deixava ninguém em pé. Tomáz e Tobias já não sabiam mais se eram gatos ou apenas bolas de pelos sem energia.

Eu tive ainda que fazer uma pequena viagem até a empresa em que trabalho nesse agradável clima com um sol particular para cada ser que habita essa terra. Fico pensando nas pessoas que estavam na mesma situação, mas ainda assim firmes no jejum. Obras em andamento, transporte público fervendo e as pessoas ainda animadas por estarem no Ramadan. É realmente um mês com inexplicáveis sentimentos.

O que será mais difícil será compensar após o Eid os dias não jejuados. Serão seis no total, já que eu também comecei um dia atrasada. Eu não sei exatamente quais são as regras da compensação. Vocês, meu consultores de jejum, se souberem me deem uma luz. Devo jejuar os seis dias seguidos logo após o Eid? Tenho algum prazo para essa compensação?

Ainda não sei como vou fazer, mas por certo vou contar tudo para vocês. Dia 30 foi adiado, mas há de chegar!


Red Sea, Hurghada, Egypt, 2017

Well, I left you with my last post almost a week ago. My fast had to be temporarily suspended, but here I am back. In fact, I thought I could have come back yesterday, so I even started the fast, but Mother Nature was not yet ready to leave me, so I had to postpone another day.

It is curious how our own body behaves. In that one week that I returned to my feeding habits normally, I felt more headache and less energy. Maybe because I got discouraged in the process, since writing to you every day gave me a good vibe.

I could now occupy the empty spaces of the day with anything and I confess that one of the first things I did was the nostalgic black coffee in the morning. However, it was really strange not to do the fasting. You see, I live alone and in theory nobody would know if I was fasting or not or even if I should have stopped or not, but being inserted in the context in which the vast majority are doing it made me want to be part of it.

Returning today to be able to fast was a certain relief that I still belonged. I thought it would be more difficult and that all the anxious feelings I had at the beginning would come back. Surprisingly, it was much easier than I imagined. Today that could be an extremely agonizing day, as I barely slept and did not have a large workload was in fact an unexpected tranquility. Neither James, the stomach nor Gertrudes, the throat nor I had any difficulty.

I believe that I am a very lucky person in this life. Last week a heat wave was present in Cairo with temperatures around 42 degrees and a thermal sensation from a preheated oven to 250 degrees, which did not leave anyone, standing. Tomáz and Tobias no longer knew if they were cats or just hairballs without energy.

I also had to make a short trip to the company where I work in this pleasant climate with a particular sun for each being that inhabits this land. I keep thinking about people who were in the same situation, but still fasting. Building constructions in progress, public transport boiling and people still excited to be on Ramadan. It is really a month with unexplained feelings.

What will be more difficult will be to compensate for the un fasted days after Eid. There will be six in total, since I also started a day late. I don’t know exactly what the compensation rules are. You, my fasting consultants, if you know, give me a light. Should I fast for six days straight after Eid? Do I have any deadline for this compensation?

I still don’t know how I’m going to do it, but I’m certainly going to tell you everything. Day 30 has been postponed, but it will arrive!

viagem

Day 23: This is not a day/Dia 23: Isso não é um dia

Utthita Hasta Padangusthasana – B (Extended hand to big toe – B), Hurghada, Egypt, 2017

No texto do dia 12 eu falei para vocês de algumas limitações para se fazer o jejum. Comentei que quando a mulher está durante seu período mensal de preparação para carregar uma mini pessoa em seu interior estaria liberada de jejuar. A questão não é só ela fica liberada, mas se o fizer o jejum está na verdade invalidado e deve retomar o jejum após o Ramadã compensando os dias não praticados.

Dito isso, iniciemos o dia, que até então seria de jejum. Depois da insônia número 45937547 da quarentena queria passar meu domingo mais ativo para cansar meu corpo mais cedo essa noite. Tomei coragem e fui fazer uma série de Yoga. Eu comecei a praticar Yoga há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, parei por um tempo e em 2017 voltei com mais vigor e aprendi o Ashtanga Vinyasa Yoga .

Ashtanga Vinyasa Yoga parte da filosofia de Ashtanga Yoga que consta no antigo manuscrito Yoga Korunta, transmitido para Sri T. Krishnamacharya nos anos 1900s. Seu estudante Sri K. Pattabhi Jois em 1948 utilizada esse estudo como base para educar o Ashtanga Vinyasa Yoga.

Essa prática é extremamente vigorosa e dinâmica. A meditação se dá durante a combinação das postura (asanas) e da respiração (vinyasa) específica e respiração vitoriosa (Ujjayi) e travas de energia (bandhas).

Esse estilo de Yoga é dividido em Série Primária, chamada, Série Intermediária e Séries Avançadas (A, B, C e D), somando seis séries no total. A série primária é chamada de Yoga Chikitsa, ou a Yoga terapia, já que promove um efeito de limpeza e tonificação no corpo e na mente, exatamente o que estamos fazendo no Ramadã. Você pode ler mais sobre o Ashtanga Vinyasa Yoga clicando aqui.

Antes de vir para o Egito eu consegui aprender a primeira série completa e hoje resolvi tentar praticar, depois de alguns anos parada, em jejum. Lembro de meu professor de yoga recomendar na verdade a prática em jejum, mas eu nunca consegui realizar, até hoje. Não cheguei a fazer a série completa, é preciso reacostumar o corpo com a prática. Meus músculos já vão protestar amanhã, melhor ir aos pouquinhos.

A prática se inicia e finaliza com dois mantras específicos em sânscrito. E o primeiro aprendizado é a correta respiração que vai fluir durante toda a prática. É um som profundo como se fossem as ondas do mar. E aí aos poucos vocês vai começando as posturas. Uma séria completa dura cerca de 1 a 2h e o resultado é uma leveza e preenchimento de si indescritível.

Depois desse momento de intensidade a mãe natureza falou mais alto e deu sinal de vida plena e saudável. Vide parágrafo um para entender o contexto. Meu jejum hoje seria invalidado. Então estranhamente tive que quebrar o jejum. Digo estranho, pois meu corpo e mente já estavam preparados para mais horas de jejum e se deliciar com um copo de suco de hibisco pareceu uma sensação de alívio e ao mesmo tempo culpa.

Voltarei assim que o ciclo acabar. Mas para não perder o costume farei o quinto agradecimento, à saúde. Não só física como mental, que mesmo com alguns percalços e crises no meio do caminho ainda faz este corpinho ter energia de sobra para pensar no futuro.


Sirsana (headstand)- Pindamonhangaba, Brasil, 2017

In the text of the 12th I told you about some limitations to fasting. I commented that when the woman is during her monthly period of preparation to carry a mini person inside, she would be free from fasting. The issue is not only that it is released, but if you do it, the fast is in fact invalidated and you should resume the fast after Ramadan making up for the days not practiced.

That said, let’s start the day, which until then would be fasting. After the insomnia number 45937547 of the quarantine I wanted to spend my most active Sunday to tire my body earlier the upcoming night. I took courage and went to do a series of Yoga. I started practicing Yoga a few years ago, when I was still in college, I stopped for a while and in 2017 I came back with more vigor and learned Ashtanga Vinyasa Yoga.

Ashtanga Vinyasa Yoga is based on the philosophy of Ashtanga Yoga in the ancient manuscript Yoga Korunta, transmitted to Sri T. Krishnamacharya in the 1900s. His student Sri K. Pattabhi Jois in 1948 used this study as a basis for educating Ashtanga Vinyasa Yoga.

This practice is extremely vigorous and dynamic. Meditation takes place during the combination of specific postures (asanas) and breathing (vinyasa), victorious breathing (Ujjayi) and energy locks (bandhas).

This style of Yoga is divided into Primary Series, Intermediate Series and Advanced Series (A, B, C and D), making six series in total. The primary series is called Yoga Chikitsa, or Yoga therapy, as it promotes a cleansing and toning effect on the body and mind, exactly what we are doing in Ramadan. You can read more about Ashtanga Vinyasa Yoga by clicking here.

Before coming to Egypt I managed to learn the first complete series and today I decided to try to practice, after a few years off, this time fasting. I remember my yoga teacher actually recommending the practice while fasting, but I have never been able to do it until today. I didn’t get to do the complete set, it’s necessary to get the body used to practice. My muscles are going to protest tomorrow, better to go little by little.

The practice begins and ends with two specific Sanskrit mantras. And the first learning is the correct breathing that will flow throughout the practice. It is a deep sound as if it were the waves of the sea. And then, little by little, the postures begin. A complete series lasts about 1 to 2 hours and the result is an indescribable lightness and filling.

After that moment of intensity, Mother Nature spoke louder and gave a sign of full and healthy life. See paragraph one to understand the context. My fast today would be invalidated. So strangely I had to break the fast. I say strange, because my body and mind were already prepared for more hours of fasting and enjoying a cup of hibiscus juice felt like a feeling of relief and at the same time guilt.

I’ll be back as soon as the cycle is over. But in order not to lose the custom, I will do the fifth thanks, to health. Not only physical but also mental, which even with some mishaps and crisis in the middle still makes this little body have plenty of energy to think about the future.

viagem

Day 22: The Truth/Dia 22: A Verdade

Amsterdam, Holland 2018

Depois da crise dos quase 30 (anos) de ontem eu resolvi lavar minhas dúvidas. Em outras palavras, minha casa e minha mente precisavam de uma faxina. Eu aprendi com uma grande amiga aqui no Egito que quando temos muitas coisas na cabeça uma forma de pôr em ordem era fazendo limpeza.

Porém não esqueçamos estamos no meio de um jejum e exercício físico significa deixar James e Gertrudes altamente irritadiços com o esforço. Cheguei a pensar em fazer a limpeza depois do iftar, o que levaria a outra dificuldade, zero energia até a digestão acabar, além do fato de que eu precisava ocupar meu sábado.

Eu já tinha feito mercado pelo manhã, na verdade o mercado veio até mim hehe, o que me deixou com bastante tempo livre. Construí um brinquedo para meus gatos, que me tomou longos 5 minutos sobrando ainda 8h de jejum. Se eu começasse a faxina cedo, iria acabar e ainda faltaria tempo para a quebra do jejum.

Tentei dormir, sem sucesso. Se você não conhece o verão egípcio, imagine que dormir em uma sauna não é a soneca da tarde mais esperada. Antes que você pergunte, eu não tenho ar condicionado, apenas um ventilador de teto, o qual Gertrudes odeia.

Não sobraram muitas opções. Eu tinha duas escolhas: começar finalmente meu TCC da pós ou mergulhar nas milhões opções cinematográficas da Netflix. Você tem uma chance para descobrir. Acho que a essa altura do campeonato vocês me conhecem muito bem para saber que levei cerca de meia hora para procurar um filme. E lá se foram mais algumas horas de jejum sem nem perceber. Pronto, eu poderia começar a faxina física e mental.

A cada cômodo e processo de limpeza da casa eu repetia as perguntas na minha cabeça, mas dessa vez sem a ansiedade do dia anterior, eu estava determinada em achar respostas. O processo foi tão fluido que a hora de quebrar o jejum passou sem que nem eu, nem James ou Gertrudes percebessem. Mas não se desesperem, eu fiz o cálculo certo e acabei pouco tempo depois do pôr do sol.

Passei o dia com uma frase que achei muito oportuna para o dia de faxina “Uma feminista é qualquer mulher que diz a verdade sobre sua vida” Virginia Woolf. Minhas dúvidas de ontem eram basicamente voltadas para o rumo da vida, se eu estaria ou não no caminho certo. Não cheguei a uma exata conclusão, até porque ter planos na vida é ótimo, mas saber ser flexível com a mudança deles é primordial. Decidi viver minha própria verdade e descobrir pouco a pouco onde que ela vai me levar.

E é sobre essa verdade que eu faço o quarto agradecimento. Grata por ter uma essência e poder viver sem perdê-la, por mais diferentes que sejam as experiências.


White Desert, Egypt, 2018
Deserto Branco, Egito, 2018

After the almost 30s (years) crisis yesterday I decided to wash my doubts. In other words, my house and my mind needed cleaning. I learned from a great friend here in Egypt that when we have a lot in mind, a way to put things in order was to clean up.

But let’s not forget we are in the middle of a fast and physical exercise means leaving James and Gertrudes highly irritable with the effort. I even thought about cleaning after the iftar, which would lead to another difficulty, zero energy until digestion was over, in addition to the fact that I needed to occupy my Saturday.

I had already done the grocery shopping in the morning, in fact the supermarket came to me hehe, which left me with plenty of free time. I built a toy for my cats, which took me a long 5 minutes with 8 hours left to fast. If I started cleaning early, it would be over and there would still have time until break the fast.

I tried to sleep, failed. If you don’t know Egyptian summer, imagine that sleeping in a sauna is not the most waited afternoon nap. Before you ask, I don’t have air conditioning, just a ceiling fan, which Gertrudes hates.

There are not many options left. I had two choices: to finally start my postgraduate final paper or delve into Netflix’s millions of film options. You have one chance to find out. I think that at this point you know me very well to tell that it took me about half an hour to find a movie. And there went another few hours of fasting without even realizing it. Done, I could start the physical and mental cleaning.

Between the rooms and the cleaning process, I repeated the questions in my head, but this time without the anxiety of the previous day, I was determined to find answers. The process was so fluid that the time for breaking the fast passed without me, James or Gertrude realizing it. But don’t despair, I did the right calculation and finished it shortly after the sunset.

I spent the day with a phrase that I thought was just right for the cleaning day “A feminist is any woman who tells the truth about her life” Virginia Woolf. My doubts from yesterday were basically focused on the direction of life, whether or not I would be on the right path. I didn’t reach an exact conclusion, because having plans in life is great, but knowing how to be flexible with their change is primordial. I decided to live my own truth and discover little by little where it will take me.

And it is on this truth that I give the fourth thanks. Thankful for having an essence and being able to live without losing it, however different the experiences may be.

viagem

Three Weeks/Três Semanas

Head, Brazil, 2016
Cabeça, Brasil, 2016

Terceira semana, estava tudo indo muito bonito, até você ser atingida pelo meteoro da insegurança. Tantas dúvidas que aparecem de uma vez que esse texto já foi recomeçado umas três vezes. E eu ainda não tenho certeza sobre dele.

Eu sei que hoje era para ser um post comemoração e super pra cima, afinal eu tinha minhas dúvidas que eu conseguiria chegar até aqui então nada mais justo do que comemorar mais uma semana completa, porém eu ainda sou um ser humano e auto motivação nem sempre é simples de alcançar.

Você tenta arranjar mil coisas diferentes para fazer para tirar sua mente das perguntas que não param de surgir. Lavar roupa, fazer comida, qualquer coisa que me faça mexer o corpo, tudo feito, nada resolvido, a sementinha da insegurança tinha sido muito bem plantada. Já tentei Netflix, começar um livro novo, mas o impulso de checar as redes sociais fala mais alto. Ô trem que absorve nossa energia.

Você deve estar pensando, mas mulher, que tantas dúvidas são essas? Bom, meus amigos, comecemos pelo básico. Estou vivendo certo? Estou fazendo as escolhas certas? Eu sou feliz? Se você nunca se fez essas perguntas, por favor me diga seu segredo. Esse é só o nível um, espera chegar no chefão para ver.

AAAAAAAAAAAAH. Sim, eu gritei, internamente apenas pela intenção de liberar o que tá preso dentro. Quando a gente prende nossas emoções elas se acumulam e ocupam espaço para novas oportunidades. E bom, se você leu meu texto de ontem sabe que eu estou bem precisando de novas emoções. Não é um ponto fácil de chegar, mas temos que começar de algum lugar e ter a esperança de que amanhã será um dia melhor.

Eu estou sempre falando de solidão e de como ter auto motivação já que eu moro sozinha e claramente meu dia – a – dia não conta com muitos outros humanos. Porém há uma grande rede de suporte que sempre esteve lá para quando caísse.

Essa rede é o meu terceiro agradecimento: meus amigos, antigos, novos, que já não tenho mais tanto contato, todos de alguma forma foram e são importantes para mim. Um suporte sem interesses, genuíno, um laço apertado.


Last night, Sheikh Zayed, Egypt, 2020
Ontem a noite. Sheikh Zayed, Egito, 2020

Third week, everything was going very well, until you were hit by the meteor of insecurity. So many doubts that come up once that this text has been restarted about three times. And I am still not sure about it.

I know that today was supposed to be a celebration post and super up, after all I had my doubts that I would be able to get here so nothing more fair than celebrating another full week, but I am still a human being and self motivation not always it is simple to achieve.

You try to find a thousand different things to do to get your mind off the questions that keep coming up. Washing clothes, making food, anything that makes me move my body, everything done, nothing resolved, the little seed of insecurity had been very well planted. I’ve tried Netflix, starting a new book, but the impulse to check social media speaks louder. Train that absorbs our energy.

You might be thinking, but woman, what are those doubts? Well, my friend, let’s start with the basic. Am I living right? Am I doing the right choices? Am I happy? If never asked yourself those things please tell me your secret. This is just level one, wait till the boss to see.

AAAAAAAAAAAAH. Yes, I screamed, internally just for the purpose of releasing what’s trapped inside. When we arrest our emotions, they accumulate and occupy space for new opportunities. And well, if you read my text from yesterday you know that I am in great need of new emotions. It is not an easy point to reach, but we have to start from somewhere and hope that tomorrow will be a better day.

I am always talking about loneliness and how to have self motivation since I live alone and clearly my daily life does not have many other humans. However, there is a large support network that was always there for when I fall.

This network is my third thanks: my friends, old, new, that I no longer have as much contact, all of them were and are important to me in somehow. A genuine, uninterested support, a tight tie.

viagem

Day 20: What are you looking for?/Dia 20: O que você está procurando?

Hoje me perguntaram como eu me sentia após 20 dia de jejum. Eu tinha planejado essa discussão para amanhã, já que serão 3 semanas completas, mas já que a provocação veio mais cedo porque não pensar sobre?

Sem muito refletir sobre a pergunta eu respondi ao meu amigo que minha energia estava diferente. Fazer o jejum ficou cada vez mais fácil de se fazer e parece fazer mais sentido com o passar dos dias.

Agora parei para pensar mais a fundo na pergunta e na minha resposta. Como eu me sinto depois de 20 dias? Isso implica a pensar na vida e em como eu estava 20 dias atrás ou na verdade há meses atrás. Bom, o cenário não era favorável, acabar um relacionamento intenso, perder uma de suas melhores amigas de infância e uma crise internacional da saúde não é exatamente o que posso descrever de boas energias.

Os dias se acumulavam sem saber muito bem como diferenciá-los. A pouca energia no corpo era por pura sobrevivência jogando a solidão na minha cara. Se você não faz, quem vai fazer? Se você não reage, quem vai reagir por você? Não tinha ninguém, não tem ninguém. É quase que uma experiência extra corporal, você sai de si para dar a mão a si próprio. O que isso tem a ver com o jejum, então? Bom, à primeira vista não parecia ter muita relação. A ideia principal do Ramadã é se conectar com Allah ou Deus, o divino e era essa experiência que eu queria sentir.

Eu sempre achei muito bonito quem tem uma relação forte com alguma crença, porém isso nunca funcionou para mim, como se eu não pudesse me encaixar em nenhum lugar. O que eu encontrei foi uma força de vontade em mim mesma, uma conexão com minha visão de divino, seja o nome que for. Saber que a companhia do universo se faz presente e me acompanha em qualquer lugar.

Fazer o jejum me deu uma limpeza não só orgânica, mas espiritual. Os problemas não somem magicamente, a solidão não vai embora de repente. O que muda é sua energia para enfrentar situações que vida lhe impõe.

Como falei para vocês eu tentei fazer o jejum nos anos anteriores, não cheguei a completar e nem cheguei tão longe quanto dessa vez. Talvez eu não estava preparada não só fisicamente, mas também espiritualmente para me encontrar tão intensamente como agora. Talvez a energia não tenha mudado exatamente, foi fortalecida.

Esse meu amigo perguntou também o que eu estaria buscando na Laiat al Qadr que eu falei ontem. Parei por um momento e percebi que na verdade só conseguia pensar em agradecimentos, que mesmo passando por momentos de completo desespero e desolamento minha vida é na verdade abençoada.

Seguindo o post de ontem o segundo agradecimento é ao poder de conexão espiritual comigo mesma e com o universo, me fortalecendo de dentro para fora.


Fayum, Egypt, 2019

Today I was asked how I felt after 20 days of fasting. I had planned this discussion for tomorrow, as it will be 3 full weeks, but since the provocation came earlier, why not think about it?

Without much thought about the question, I replied to my friend that my energy was different. Fasting just got easier and easier and seems to make more sense as the days go by.

Now I stopped to think more deeply about the question and my answer. How do I feel after 20 days? It involves thinking about life and how I was 20 days ago or actually months ago. Well, the scenario was not favorable, ending an intense relationship, losing one of your best childhood friends and an international health crisis is not exactly what I can describe with good vibes.

The days were piling up without really knowing how to differentiate them. The few energy left in my body was for pure survival throwing the loneliness in my face. If you don’t do, who will? If you don’t react, who will react for you? There was no one, there is no one. It is almost an extra bodily experience, you go out of yourself to give yourself a hand. What does this have to do with fasting, then? Well, at first glance it didn’t seem to have much of a connection. The main idea of ​​Ramadan is to connect with Allah or God, the divine and it was this experience that I wanted to feel.

I always thought it was very beautiful who has a strong relationship with some belief, but it never worked for me, as if I couldn’t fit anywhere. What I found was a willpower in myself, a connection to my point of view of the divine, whatever the name is. Knowing that the company of the universe is present and accompanies me anywhere.

Fasting gave me not only an organic, but a spiritual cleansing. Problems do not magically disappear, loneliness does not suddenly vanish. What changes is your energy to face situations that life imposes on you.

As I told you, I tried to fast in the previous years, I didn’t get to complete it and I didn’t even get as far as this time. Perhaps I was not prepared not only physically, but also spiritually to find myself as intensely as I am now. Perhaps the energy has not exactly changed, it has been strengthened.

This friend also asked what I would be looking for in Laiat al Qadr that I talked yesterday. I stopped for a moment and realized that in reality I could only think of thanks, that even going through moments of complete despair and desolation my life is actually blessed.

Following yesterday’s post the second thanks is to the power of spiritual connection with myself and with the universe, strengthening me from the inside out.

viagem

Day 19: The seek of Lailat Al Qadr/Dia 19: A Busca pela Lailat Al Qadr

Mosque of Muhammad Ali, Cairo 2017
Mesquita de Muhammad Ali, Cairo 2017

Oficialmente hoje iniciaram os últimos 10 dias de Ramadã. No meu caso ainda faltam 11 de jejum, já que eu comecei atrasada, mas isso é só um detalhe. Nos atentemos aos fatos, você deve estar se perguntando, porque essa informação é tão importante?

Os últimos 10 dias não é uma simples contagem regressiva para o fim do mês, é de fato o período mais importante do Ramadã. A busca é na verdade pela Lailat Al Qadr, a noite do poder. Acredita-se que foi nessa noite na qual o Quran tenha sido revelado ao Profeta Mohamed. Especula- se que tal acontecimento tenha sido na noite 26 ou 27. Todas as bem feitorias na noite do poder são altamente recompensadas, seus pecados são anulados e suas chances de chegar ao céus se multiplicam. Como não é possível saber qual é a noite exata a ideia que você maximize as boas ações durante os últimos 10 dias.

A principal boa ação é se conectar mais profundamente com Allah, Deus. Há homens e mulheres que escolhem fazer o I’tikaf, ou isolamento total em uma mesquita durante os 10 dias, a fim de se dedicar totalmente a Allah. Toda ação que se volte para Allah nesses dias são muito bem vindas.

Estar perto do fim do Ramadã significa também que o Eid Al Fitr está chegando. O festival para celebrar o fim do jejum. São três dias de celebração e os mulçumanos devem ir a uma mesquita para performar a reza do Eid. Familiares se presenteiam com quantias de dinheiro e roupas novas para as festividades e após a reza do Eid é feito o sermão Khutbah e somente depois dessas duas ações você pode voltar a sua casa ou parques para comemorar com a família uma grande refeição.

Existem dois Eids na religião islâmica. Este para comemorar o fim do jejum e o Eid al-Adha, ou a Festa do sacrifício que acontece 70 dias depois do Ramadan. Quando eu primeiro cheguei ao Egito estava em época de Eid al-Adha e eu escrevi todas minhas sensações sobre essa celebração. Convido vocês a lerem como foi uma das sensações mais intensas da minha vida. É só clicar aqui.

Outra ação imprescindível no fim de Ramadã é o pagamento do Zakat al fitr para uma pessoa carente para que essa pessoa possa se preparar para o Eid como todos os muçulmanos. Esse pagamento se torna obrigatório a partir do pôr do sol do último dia de Ramadã até o início da reza do Eid. Aliás, se alguém souber como eu posso fazer isso aqui em Sheikh Zayed me avise.

No contexto atual de crise de Coronavírus eu não faço ideia de como isso tudo vai acontecer, pois exige uma aglomeração considerável e todas as mesquitas estão fechadas por contado confinamento.

Eu não tenho uma relação muito profunda com religião e rituais religiosos, e também nem sei se minha ideia vai valer como boa ação, mas vou deixar aqui a semente. Durante os últimos 10 dias oficiais de Ramadan vou deixar um agradecimento por qualquer coisa que tenha acontecido na minha vida, será minha conexão particular com o divino. E todos vocês estão convidados a fazer também, afinal agradecer não faz mal a ninguém.

Primeiro agradecimento: pela minha família. Está cada um num canto do mundo, mas nossa união é o que me mantém sã e forte. Obrigada!

E você, qual é o seu primeiro agradecimento?


Mosque-Madrassa of Sultan Hassan
Mesquita de Sultan Hassan

Today officially started the last 10 days of Ramadan. In my case there are still 11 fasting, since I started late, but that’s just a detail. Considering the facts, you must be asking yourself, why is this information so important?

The last 10 days is not a simple countdown to the end of the month, it is indeed the most important period of Ramadan. The seek is actually for Lailat Al Qadr, the Night of Power. It is believed that it was on that night when the Quran was revealed to the Prophet Muhammad. It is speculated that such an event took place on the night of the 26th or 27th. All the improvements on the night of power are highly rewarded, their sins are nullified and their chances of reaching heaven multiply. As it is not possible to know the exact night the idea is that you maximize the good deeds during the last 10 days.

The main good deed is to connect more deeply with Allah, God. There are men and women who choose to do I’tikaf, or total isolation in a mosque during the 10 days, in order to dedicate themselves fully to Allah. Any action that turns to Allah these days is most welcome.

Being close to the end of Ramadan also means that Eid Al Fitr is coming. The festival to celebrate the end of the fast. There are three days of celebration and Muslims must go to a mosque to perform the Eid prayer. Family members are given gifts of money and new clothes for the festivities and after the Eid prayer the Khutbah sermon is done and only after these two actions can you return to your home or parks to celebrate a great meal with the family.

There are two Eids in the Islamic religion. This to celebrate the end of fasting and Eid al-Adha, or the Feast of Sacrifice that takes place 70 days after Ramadan. When I first arrived in Egypt it was the time of Eid al-Adha and I wrote all my feelings about this celebration. I invite you to read how it was one of the most intense sensations of my life. Just click here.

Another essential action at the end of Ramadan is the payment of Zakat al fitr to a needy person so that the person can prepare him/herself for Eid like all Muslims. This payment becomes mandatory from the sunset on the last day of Ramadan until the beginning of the Eid prayer. In fact, if anyone knows how I can do this here in Sheikh Zayed let me know.

In the current context of the Coronavirus crisis, I have no idea how this is going to happen, as it requires considerable agglomeration and all mosques are closed due to limited confinement.

I don’t have a very deep relationship with religion and religious rituals, and I don’t even know if my idea will count as a good deed, but I’ll leave the seed here. During the last 10 official days of Ramadan I am going to leave a thank you for whatever has happened in my life, it will be my private connection with the divine. And you are all invited to do it too, after all, thanking doesn’t hurt anyone.

First thanks: for my family. Each one is in a corner of the world, but our union is what keeps me healthy and strong. Thank you!

And you, what is your first thank?

viagem

Day 18: Succinct/Dia 18: Sucinto

Paris. Full. Emotion.
Paris. Cheio. Emoção

Vazio. Sem emoção

Quarto. Acordar 1 minuto para a reunião diária de trabalho. Susto, sorte talvez. Tela azul.

Vazio. Sem emoção

Sol da manhã. Energia.

Cheio. Sem emoção.

Respostas esperadas, casos concluídos, trabalho feito.

Vazio. Sem emoção.

Netflix. Sempre tem a próxima da lista.

Vazio. Sem emoção.

Mais trabalho. Concluído com sucesso.

Vazio. Sem emoção.

Quarto – escritório. Sala. Cozinha. Sala. Gatos. Quarto – escritório. Cozinha. Iftar.

Cheio. Sem emoção.

Quarto. Soneca. Enxaqueca. Aluguel chama.

Cheio. Sem emoção.

Sala. Sem dinheiro.

Vazio. Sem emoção.

Quarto. Netflix. Série Música. Inspiração.

Cheio. Emoção.


Empty. Emotionless

Bedroom. Wake up 1 minute to the daily work meeting. Scare, luck maybe. Blue screen.

Empty. Emotionless

Balcony. Morning sun. Energy.

Full. Emotionless.

Expected answers, completed cases, work done.

Empty. Emotionless.

Netflix. There’s always the next one on the list.

Empty. Emotionless.

More work. Successfully concluded.

Empty. Emotionless.

Bedroom – office. Living room. Kitchen. Living room. Cats. Bedroom – office. Kitchen. Iftar.

Full. Emotionless.

Bedroom. Nap. Migraine. Rent calls.

Full. Emotionless.

Living room. Without money.

Empty. Emotionless.

Bedroom. Netflix. Music. Series. Inspiration.

Full. Emotion.

viagem

Day 17: The bean by the pool/Dia 17: O feijão na piscina

Mount Saint Catherine, South Sinai
Monte Santa Catarina, Sinai do Sul

Eu sempre conto para vocês sobre o iftar ou como foi o dia até o momento de quebrar o jejum. mas raramente falo como é o meu suhur. Acredito que vocês não devam nem se lembrar dessa palavra. Bom, é o “café da manhã”, não bem da manhã já é a última refeição antes do nascer do sol.

Não sei se vocês perceberam, mas eu sou uma pessoa noturna, em outras palavras, não tenho quase funções cognitivas pela manhã ou basicamente meu computador central, cérebro, fica em tela azul por um bom tempo.

Pois o que acontece é, após o iftar eu viro um vegetal por algumas horas até que meu corpo comece a responder lentamente a toda devassidão alimentícia que eu o proporcionei. James entra em êxtase e monopoliza toda a energia que tinha em mim. Não há quem discuta e portanto apenas Netflix consegue dar conta do recado, pois claramente não envolve que nenhum membro se prontifique às suas atividades habituais, como viver, por exemplo.

Quase uma tela azul novamente, eu diria, pelo menos dessa vez com algum sinal de vida. O sono vem, mas não durmo, talvez seja apenas preguiça e ainda está muito cedo para conseguir dormir até o dia seguinte. Sigo num estágio agora semi vegetal e totalmente sem fome em que eu não sinto as horas passarem.

Veja você, já virou o dia e eu nem vi. Agora, te pergunto, quando é que James termina seu processo e libera a energia para geral curtir? Sim, agora, meia noite. Momento esse que eu deveria estar iniciando meus mais belos sonhos nos braços de Orfeu, mas que eu estou completamente acordada para fazer vários nadas.

Eu devo estar fazendo algo muito errado nesse jejum, pois eu deveria em breve estar prontinha para comer um fortificado café da manhã para que James aguente amanhã sem muito protesto. Ainda cheia do iftar, não prevejo espaço nem para uma frutinha sequer.

Aliás, saber o que comer nessas horas é um desafio para mim. Não pode ser pesado porque ainda preciso dormir, porém forte o suficiente para pelo menos eu passar do estágio tela azul. Aqui é muito tradicional comer ful, aquele típico feijão árabe, eles amam comer isso de café da manhã com o pão balady (local).

Amigos egípcios me perdoem, wallahy (eu juro) que eu tentei, várias vezes, mas não entra na minha cabeça feijão no café da manhã. Exceto quando você e sua amiga voltam de uma festa de formatura e acreditam que a ideia mais lógica é comer feijão e vinagrete na beira da piscina às 9h da manhã para embalar a conversa mais profunda de nossas vidas, não que a gente fosse lembrar de uma só palavra no dia seguinte, mas foi memorável, o feijão.

Mas em geral, eu não consigo comer feijão pela manhã ou pela madrugada. Minhas opções ficam um pouco mais limitadas a leite com algum cereal e muito pão com queijo, para ver se dá sustância. Eu acho que durante o sono James entra em colapso nervoso e quer devorar todo o açúcar do meu sangue, mesmo que eu tenho explicitamente pedido para ir devagar e consumir com parcimônia durante o dia. Mas eu falo com uma porta e acordo com uma fome de outro mundo.

É bem verdade que durante o dia eu vou me acostumando e já não sinto mais tanta fome como na primeira semana, mas ao acordar parece que passei 402759485934 dias sem comer.

Se você que está lendo esse texto souber de ideias para suhur, que não envolvam feijão por favor, me ilumine.

Agora eu vou lá, preparar meu pãozinho de sempre para a rotina começar outra vez amanhã.

Bom apetite!


I always tell you about the iftar or how the day went until the moment of breaking the fast. but I rarely talk about my suhur. I believe that you don’t even remember that word. Well, it’s the “breakfast”, not really in the morning, it’s the last meal before sunrise.

I don’t know if you noticed, but I’m a nocturnal person, in other words, I don’t have almost cognitive functions in the morning or basically my central computer, brain, stays on blue screen for a long time.

What happens is, after the iftar I become a vegetable for a few hours until my body begins to respond slowly to all the food debauchery that I provided him. James is ecstatic and monopolizes all the energy I had in me. There is no one to argue and therefore only Netflix is ​​able to do the job, as it clearly does not involve any member volunteering for their usual activities, such as living, for example.

Almost a blue screen again, I would say, at least this time with some sign of life. Sleep comes, but I don’t sleep, maybe it’s just laziness and it’s still too early to be able to sleep until the next day. I go on a stage now semi-vegetal and totally without hunger in which I don’t feel the hours pass.

You see, the day has already turned and I haven’t even seen it. Now, I ask you, when does James finish his process and release the energy for general enjoyment? Yes, now, midnight. This moment that I should be starting my most beautiful dreams in the arms of Orpheus, but that I am wide awake to do several things.

I must be doing something very wrong with this fast, as I should soon be ready to eat a fortified breakfast so that James can handle it tomorrow without much protest. Still full of iftar, I do not foresee space even for a small fruit.

In fact, knowing what to eat at these times is a challenge for me. It can’t be heavy because I still need to sleep, but strong enough to at least get past the blue screen stage. Here it is very traditional to eat ful, that typical Arab bean, they love to eat it for breakfast with balady (local) bread.

Egyptian friends forgive me, wallahy (swear) I tried it several times, but beans don’t get into my mind for breakfast. Except when you and your friend come back from a graduation party and believe that the most logical idea is to eat beans and vinaigrette by the pool at 9:00 am to pack the most profound conversation of our lives, not that we would remember a single word the next day, but it was memorable, the bean.

But in general, I can’t eat beans in the morning or early in the morning. My options are a little more limited to milk with some cereal and a lot of bread and cheese, to see if it gives substance. I think that during sleep James collapses nervous and wants to devour all the sugar in my blood, even though I have explicitly asked to go slow and consume sparingly during the day. But I speak to a door and wake up with a hunger from another world.

It is true that during the day I get used to it and I no longer feel so hungry as the first week, but when I wake up it seems that I have spent 402759485934 days without eating.

If you, who are reading this text, know any idea for suhur, that do not involve beans, please enlighten me.

Now I will prepare my usual bread for the routine to start again tomorrow.

Bon appétit!